quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Fenómeno da Cibercultura - Visão pessimista de Paul Virilio


A visão alarmista de Paul Virilio, leva-nos a uma definição da Era da informática como sendo algo perigoso. Esta Era remete-nos para uma perda da noção do real, onde é a máquina o ditador e o homem o seu escravo:

“Nós estamos no “tempo-máquina”; o tempo humano é sacrificado como os escravos eram sacrificados no culto solar de antigamente.”
Entrevista a P. Virilio 2011
Não há duvida que a sociedade está a ser consumida pelas tecnologias de comunicação. Basta olharmos atentamente para a forma como tudo o que nos rodeia se altera, quer a nível económico e politico, para nos apercebermos que a tecnologia e os processos que dela dependem estão totalmente dependentes dela mesma.
Contudo seria impensável a sociedade como a conhecemos, viver sem esta tecnologia, pois ela é vista como algo indispensável em qualquer área da vida humana. Aliás, a velocidade com que a tecnologia avança em termos evolutivos é exponencial, e essa rápida evolução está efetivamente a alterar o comportamento do ser humano. Contudo para Virilio, a utilização massiva das máquinas, levou-nos a uma perda da noção da realidade, sendo a máquina que controla o homem e não o homem que controla a máquina.
O homem é um ser curioso, ambicioso e inteligente, que atingiu um patamar nunca imaginado no que se trata do domínio sobre o conhecimento tecnológico. Mas será que a utilização das tecnologias que ele mesmo construiu está a ser utilizada de forma correta?  
Velocidade é a palavra central dos pensamentos de Virilio quando se fala de ciberespaço. Para este pensador, a realidade é definida por um mundo virtual onde se pode estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em nenhum, acabando desta forma por se perder a noção de tempo e espaço.
Ele acredita que vivemos de forma superficial na medida em que vivemos  na Era da Dromologia. Esta define o estudo da velocidade –Dromo, do grego – corrida, ou seja a lógica da corrida.
A dromologia é um conceito que surgiu pela primeira vez no livro intitulado “Velocidade e Política” (1977), e assenta no pressuposto de que o que acontece está relacionado com a sua velocidade a que ocorre. É o estudo da velocidade, do ritmo a que estamos expostos enquanto cibernautas. 
Para Virilio a pressa tem como propósito o exagero na superficialidade não havendo espaço para a reflexão. A Era da Dromologia carateriza-se na medida em que vivemos todos numa sociedade em rede, onde o ritmo é voraz, impossibilitando a reflexão sobre os processos vividos, daí a superficialidade que Virilio refere. Deste modo, a relação que Virilio constrói à volta da cibercultura é a de que há uma total perda de liberdade de ação no que conta à escolha pelos cibernautas. Conseguimos nos dias de hoje observar os comportamentos dos indivíduos em geral, incluindo os jovens, que criaram uma dependência obscena na utilização das tecnologias, chegando ao ponto em que não conseguem viver sem a sua utilização. São indivíduos que estão presos à máquina e que “sofrerão o conjunto dos problemas da comunicação, adquiridos no curso dos últimos séculos da técnica” (VIRILIO, 1999, p.43).


Já foram inumaras as vezes em que assistimos a grupos de jovens que se comunicam por via da internet, dando preferência à partilha virtual do “agora”, aquando na presença uns dos outros, privando-se de viver o real.
Para este pensador, a história contemporânea é filha da velocidade, que aliada à guerra formam as fundações da sociedade. Podemos afirmar que, a supervalorização da tecnologia na sociedade aliada à velocidade de informação que presenciamos enquanto sociedade em rede, leva-nos ao abismo da guerra informacional. Virilio chega a comparar a guerra terrestre com a guerra cybernautica. Nos noticiários já assistimos várias vezes a este tipo de situações, tendo como exemplo o caso de Julian Assange com a WikiLeaks.
 Observando a velocidade com que a tecnologia abraça e se apodera da sociedade, Virilio questiona-se se conseguirá a nossa existência quotidiana aguentar o tempo real suportado pelas tecnologias.
A revolução e rápida evolução tecnológica, levou-nos ao encontro de uma nova sociedade, de um novo modo de vida. Enquanto antigamente os esquemas da sociedade eram vistos em pequenas dimensões, onde pequenos grupos de pessoas interagiam presencialmente, hoje em dia o processo do aparecimento deste conceito é de caracter global devido ao desenvolvimento tecnológico quer nas áreas da comunicação, dando um lugar de destaque à internet.
Segundo Castells, o ciberespaço é a sociedade em rede, onde há a partilha e troca de informação.
“A revolução da tecnologia de informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede” (M. Castells)
Por outro lado Lévy vê o ciberespaço como o meio da criação da cibercultura.
Sempre que se fala sobre cibercultura, as opiniões divergem em dois pontos de vista: otimista, em que olham a cibercultura e toda a sua relação com a sociedade como sendo uma relação mais democrata e justa de comunicação; ou pessimista, na medida que acreditam que a sociedade é vítima dessa cibercultura.
Paul Virilio partilha da visão pessimista e marca uma posição anti “Era da Informática”. Ele chega a comparar a Internet com a cultura norte-americana, acusando-a de controlo universal. Caracteriza a internet como sendo um instrumento de opressão das sociedades.
Se nos debruçarmos um pouco sobre a questão pessimista de Virilio, verificamos que a evolução tecnológica, o facilitismo de partilha de algo por parte de cada individuo, através de meios que todos nós conhecemos como por exemplo um blog, o twitter, é exacerbada e exagerada. Essa partilha de informação poderá ser vista como partilha de desinformação, uma vez que todos nós, utilizadores da internet, temos acesso a instrumentos que nos permitem publicar qualquer coisa. O mar de informação ou desinformação é tão vasto que se tornou impossível moderar e avaliar se o que nela navega é autêntico.
Sendo a velocidade o termo central na reflexão de Virilio, podemos invocar a visão de Lévy quando refere que com a velocidade de alteração de informação que circula na rede, torna-se humanamente impossível recolher do todo, uma amostra do que é mais importante uma vez que o “dilúvio informacional jamais cessará.” Levy, P (1999)
Para Virilio, a desinformação que é lançada na internet, é vista como o culminar da vida privada de cada individuo. Tendo em conta que a internet surgiu para fins militares – Arpanet – Virilio mantém esse propósito nesta Rede Mundial que todos nós utilizamos diariamente vendo nela uma arma de destruição.
Em “La fin de la vie privée”, Virilio fala-nos de como o desequilíbrio criado pelo aparecimento do ciberespaço e das novas tecnologias de informação e comunicação, não são apenas as alterações ao nível económico e político mas sim a nível quotidiano. As pessoas dão preferência à vida virtual, onde a curiosidade pela vida alheia, domina grandemente o individuo, tornando-o prisioneiro dos meios informáticos.
Em conclusão, Paul Virílio, filósofo, arquiteto, urbanista, nascido a 1932 em França, anuncia “o ciberespaço”, como “um acidente do real” em que o acidente faz parte integrante da “criação tecnológica”.
Desta forma, o Ciberespaço torna-se numa visão de fachada na qual a realidade sofre acidentes e é destruída, dividida entre o real e o virtual. Para Virilio, a “realidade virtual é o acidente da própria realidade” e partilha uma visão pessimista marcando uma posição anti “Era Informática”, sendo esta uma Era particularmente perigosa, na medida em que vivemos no “tempo máquina” onde o homem surge como um dependente das tecnologias. Esta influência tecnológica, está a alterar o comportamento humano assim como a noção de espaço e tempo.
Com a velocidade da evolução tecnológica, o facilitismo de partilha de informação, através das redes sociais tornou-se uma epidemia ao nível global. O ciberespaço é visto por Virilio como um campo de guerra, onde se travam batalhas de índole política, religiosa, social e económica.
A velocidade é outro termo chave na visão de Virílio, e com ela nasce a Dromologia que é o estudo dos efeitos da aceleração da velocidade nas sociedades. Para Virílio a realidade é definida por um mundo virtual onde se pode estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em nenhum.
“…esta súbita reversão dos limites introduz, desta vez no espaço comum, o que até o momento era da ordem da microscopia: o pleno não existe mais, em seu lugar uma extensão sem limites desvenda-se em uma falsa perspetiva que a emissão dos aparelhos ilumina.”
Virilio (1993, p.10)
A distância fica assim extinta no seu sentido de dimensão física. Nesta visão dos factos, a existência de uma aproximação física, dá lugar ao anonimato. Não podemos esquecer que nos tempos que correm, as pessoas estabelecem quer ligações quer transações sem precisarem de um encontro físico, provocando o afastamento da convivência social.
Deixo-vos com uma frase de Virilio que nos fará pensar mais um pouco:
“De que serve a um homem ganhar o mundo inteiro se ele termina por perder sua alma?”


(Virilio 1993)
Retirado em https://www.youtube.com/watch?v=KqZOQXkg5SE


Bibliografia:

Castells, M (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1;
Lévy, P (1999). Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Edições 34;
Virilio, P. (1996) Velocidade e Política. Tradução: Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Estação Liberdade;
Virilio, P. (1999) A Bomba Informática. São Paulo: Estação Liberdade.


Autenticidade e Transparencia na Rede

Após as leituras de alguns autores como Castells e Levy, onde aprofundam os conceitos de Sociedade em Rede e a Cibercultura, assim como o confronto com as diferentes visões de Boudrillaurd e Virilio sobre a cibercultura e a utilização das novas tecnologias, chega o momento de refletirmos sobre a forma como as pessoas se comportam e se apresentam nesta rede global de comunicação e disseminação de informação.

A mediação digital remodela certas atividades cognitivas fundamentais que envolvem a linguagem, a sensibilidade, o conhecimento e a imaginação  inventiva.  A  escrita,  a  leitura,  a  escuta,  o  jogo  e  a composição musical, a visão e a elaboração das imagens, a concepção, a perícia,  o  ensino  e  o  aprendizado,  reestruturados  por  dispositivos técnicos iditos, estão ingressando em novas configurações sociais. (VY, 1998,p.17)

A tecnologia e a sua apressada evolução elevaram o patamar na forma de comunicar e de difundir a informação. Toda a sociedade como a conhecemos encontrasse dependente das tecnologias. Assim sendo a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.” (CASTELLS, 1999, p.43). Onde e quando, são questões já ultrapassadas quando se fala em comunicação. A utilização da Internet como meio de difusão de informação assim como meio de comunicação revolucionou a nossa forma de estar na sociedade.

As barreiras dos indicadores sociais, como a idade, a aparência, entre outros, relativizam-se, quando estamos a estabelecer uma comunicação mediada por computador. Porem, existe muitas questões inerentes à autenticidade e transparência, quando navegamos ou difundimos informações na internet.

Quando navegamos na Rede enquanto cibernautas, adotamos uma identidade digital, que nos identifica enquanto cidadãos na Rede. A comunicação mediada por computador trouxe-nos a possibilidade de criar e de reinventar um novo “Eu”. Habilita a criação de personagens contrárias ao nosso “Eu” real, permitindo fazer passar por quem não somos, ou fazer passar por quem gostaríamos de ser, como que se fosse uma “nova pele que rege nossas relações” (Levy 1998, p.16). Neste ponto coloca-se a questão da autenticidade. Até que ponto é que as pessoas são autênticas quando traçam o seu perfil numa rede social?



Normalmente, nem sempre a identidade é autêntica. Há sempre a tendência para não revelarmos autenticamente a nossa identidade como forma de nos protegermos. Por outro lado, a tendência é de projetarmos nas redes socias, um “Eu” que não o real, e por isso damos a conhecer o nosso “Eu” ideal, aquele que gostaríamos que os outros vissem de nós mesmos. Esta tendência de projetarmos um “Eu” que não o real, muitas vezes está relacionado com medos ou receio de perigos que possam advir da utilização das Redes Socias.

Há que ter em atenção que enquanto navegadores da Internet, a nossa vulnerabilidade aumenta, na medida em que o acesso às informações que colocamos na Rede passa a estar acessível, mesmo quando tomamos medidas de privacidade sobre os nossos perfis. Em termos tecnológicos são enumeras as ferramentas que podem ser utilizadas para a apropriação de contas e de perfis para fins menos apropriados, colocando os utilizadores por vezes em situações pouco confortáveis.

As pessoas têm comportamentos diferentes quando interagem através da internet? Esta é outra questão que emerge desta reflexão. De facto esta forma de interagir facilitou em alguns aspetos o relacionamento interpessoal. Há quem diga que a comunicação mediada por computador afasta as pessoas, mas há também quem defenda precisamente o contrário. Ora vejamos, de uma maneira pratica, quantos relacionamentos começaram através de um simples chat? Quantas famílias que se encontram afastadas geograficamente comunicam-se através do Skype?

Por outro lado temos a dependência, que muitas vezes se cria, em torno destas tecnologias potenciando o afastamento dos que estão perto de nós. Por vezes assistimos a grupos de jovens, que apesar de estarem juntos fisicamente, apreciam comunicar-se entre eles através dos seus tão atuais dispositivos. Deste modo, as pessoas passam a viver no tempo máquina, dependente das novas tecnologias, expressando uma alteração do comportamento humano.

A transparência e a autenticidade de que se falou até então debruçou-se apenas sobre os que navegam na internet. Já vimos que a identidade dos cibernautas e o seu comportamento divergem mediante os seus receios ou ideais enquanto seres sociais. Na mesma medida, uma vez que são esses mesmos indivíduos quem fornecem e difundem na internet informações, cabe-nos questionar de igual modo a transparência e a autenticidade da informação que encontramos nesta rede global. Até que ponto a informação que encontramos no ciberespaço é autêntica e fidedigna? Navegamos num ciberespaço de informação ou desinformação? Em que medida aquilo que navega na internet é real? Fará sentido fazermos uma distinção do que é real e virtual?

A virtualização “não se trata de modo algum de um mundo falso ou imaginário. Ao contrário, a virtualização é a dinâmica mesma do mundo comum, é aquilo através do qual compartilhamos uma realidade. Longe de circunscrever o reino da mentira, o virtual é precisamente o modo de existência de que surgem tanto a verdade como a mentira” Lévy (1997, p.148).

Seja de que maneira for enquanto seres sociais e navegadores do ciberespaço, há que ter atenção e utilizar mecanismos de defesa na preservação da nossa identidade e privacidade, assim como aquando da procura de informações, proceder a cruzamentos dos dados pesquisados de forma a verificar a sua autenticidade.



Deixo-vos um vídeo muito interessante onde abrange de uma forma bastante elucidativa, o impacto que a internet nos trouxe nas relações sociais.


Vídeo produzido pela Agência HotWorks


Bibliografia:



Baudrillard, J. (1981). Simulacros e Simulação.
Castells, M. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1;
Lévy, P. (1997). O que é o virtual? São Paulo: Edições 34;
Lévy, P. (1998). A inteligência coletiva. São Paulo: Edições Loyola;
Lévy, P. (1998). A máquina universo. Porto Alegre: ArtMed;
Lévy, P (1999). Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Edições 34;
Virilio, P. (1999) A Bomba Informática. São Paulo: Estação Liberdade;
Virilio, P. (1996) Velocidade e Política. Tradução: Celso Mauro Paciornik. São Paulo: Estação Liberdade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Seleção e utilização de Recursos Educacionais Abertos

No âmbito da Unidade Curricular Materiais e Recursos para o Elearning, e concretizando a proposta relativa à atividade II, deixo aqui três fontes/repósitos de Recursos Educativos Abertos, que considero interessantes.

Fonte 1 – Casa das Ciências
Este é um site onde são divulgados recursos educativos abertos para os vários ciclos de ensino. É um portal muito completo e muito bem estruturado. As pesquisas são feitas com base numa serie de critérios, os recursos podem ser classificados pelos utilizadores, para que futuros visitantes possam ter uma visão da aceitação/satisfação de cada recurso. Quanto à qualidade dos recursos, esses passam sempre por uma avaliação científica e pedagógica. Os recursos apresentados neste site, ficam sujeitos a uma licença Creative Commons com a atribuição Partilha nos Termos da Mesma Licença designada como BY-SA. Esta licença permite a sua distribuição e utilização livre, não sendo autorizadas utilizações para fins comerciais. É obrigatório que ao autor seja dado o crédito pela criação da sua obra, como também é obrigatório que as obras derivadas, sejam licenciadas nos mesmos termos em que o foi a obra inicial com a indicação do autor inicial.


Fonte 2  Escola Digital




Escolhi este repositório por ser um otimo recurso para professores e alunos de todas as áreas disciplinares e de todos os ciclos de aprendizagem. Todos os recursos depositados nesta fonte de recursos, são licenciados com Creative Commons CC – BY o que permite a utilização do recurso de forma livre. Para além das licenças Creative Commons, este repositório de recursos educativos abertos é de fácil navegação. A pesquisa de materiais é muito intuitiva. Os materiais que podemos encontrar, são bastante diversificados.



Fonte 3 – GEORED – Recursos Educativos Digitais para o Ensino da Geografia

Embora a geografia não seja a minha área, ao pesquisar REA’s encontrei este repositório direccionado apenas para a área da Geografia, que a meu ver é muito interessante.
Todos os recursos que aqui se encontram, são licenciados com licença Creative Commons  (CC – BY – NC – SA) permitindo desta forma copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato, remixar, transformar, e criar a partir do original. Para além dos recursos terem este tipo de CC, a qualidade dos recursos aqui presente, têm a aprovação de patentes prestigiadas, conferindo-lhes qualidade.




ESCOLHA DE 2 RECURSOS EDUCATIVOS ABERTOS DISPONÍVEIS ONLINE

Rumo à conclusão da Temática II da Unidade Curricular Materiais e Recursos para E-learning, apresento dois REA que se encontram disponíveis online.

Nesta atividade foram tidos em conta os seguintes pontos:

  • Publicar dos endereços onde os REA podem ser consultados;
  • Indicar dos critérios, explicitados e fundamentados sinteticamente, que presidiram na escolha dos recursos; 
  • Indicar as adaptações aos REA (caso se aplique e estas sejam permitidas);
  • Planificação da atividade aplicando os REA escolhidos

Os Recursos escolhidos são:

  • 1º REA - Topologias de Rede/ Dispositivos Concentradores

  • 2º REA - CompTIA - Topologias de Redes 
https://www.youtube.com/watch?v=ErMo4OacERo


Critérios de Seleção

A escolha da temática dos REA recaíram sobre a minha área profissional – Informática.
Ambos os recursos apresentam uma linguagem acessível, abordando o tema de uma forma bastante dinâmica e interativa, tendo início num vídeo, passando por uma apresentação mais expositiva dos conteúdos, dando lugar à reflexão e debate, culminando num exercício interativo, como forma de consolidar e avaliar os conteúdos apresentados.

  • 1º REA
http://r21.ccems.pt/RECURSOS/CURSOSPROFISSIONAIS/tabid/249/language/pt-PT/Default.aspx

O autor do Powerpoint, explica de forma simples e bastante esclarecedora as várias topologias de rede existentes, assim como elabora a relação vantagens e desvantagens da utilização de cada uma.



Apresentação PowerPoint sobre "Topologias das Redes"

Utiliza uma linguagem científica correta, e ao mesmo tempo adequada à facha etária (ensino secundário). Para além da apresentação, o exercício interativo de consolidação dos conteúdos também é adequado.


Imagem da Aplicação "Exercísio3.htm"

Apesar de não conseguirmos alterar o exercício interativo, a apresentação em powerpoint é de acesso livre, no sentido em que podemos sempre remixar o conteúdo.
Em termos de acesso, este recurso encontrasse num repositório que necessita de registo para ser acedido, contudo, tratasse de um repositório com materiais fornecidos e revistos por educadores de cada área específica.
Estes são Recursos Educacinais Abertos com licença Creative Commons.

  • 2º REA


Este vídeo é bastante acessível e completo. Aborda com detalhe as topologias de redes de computadores e as suas finalidades. É um recurso reutilizável, na medida em que podemos visualizar o vídeo sempre que queiramos.
O Vídeo encontrasse no Youtube, e é muito completo relativamente à temática em questão.
Em termos de licenciamento, este vídeo não está licenciado com Creative Commons.


Adaptações aos REA escolhidos


No que concerne a adaptações dos recursos escolhidos, poderíamos acrescentar conteúdos à apresentação powerpoint que são abordados no vídeo, para que esta pudesse ficar um pouco mais completa, assim como poderíamos melhorar o exercício interativo de consolidação dos conteúdos, com alguns aspetos abordados no vídeo, assim como fazer uma melhoria na interface do exercício.


Planificação da atividade proposta


Esta é uma atividade a realizar numa aula de 90 minutos.

Objetivos

  • Identificar e definir as diferentes topologias de redes;
  • Identificar as vantagens e desvantagens de cada topologia de redes.

Conteúdos

  • Topologias de redes

Público alvo

  • Alunos do ensino secundário/profissional

Estratégias/Atividades

  • Visionamento do Vídeo do youtibe https://www.youtube.com/watch?v=ErMo4OacERo
  • Debate dos assuntos apresentados tendo como auxílio a apresentação Powerpoint;
  • Exercício interativo de consolidação doc conteúdos lecionados.

Recursos

  • Computador com acesso à internet
  • Projetor multimédia
  • Os REA’s indicados



Avaliação

A avaliação é feita através da realização do 2º REA - exercício interativo de consolidação dos conteúdos, assim como na observação direta dos alunos realizada durante a aula. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Cibercultura





No âmbito da disciplina de Educação e Sociedade em Rede, foi feita a leitura e reflexão do livro de Pierre Lévy – Cibercultura, e posterior apresentação de três exemplos fundamentados com base na definição do autor de cibercultura.

Inicio esta minha análise com um trecho do livro:

“O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo específica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais) de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.” (Lévy, P 1999, p17)

Segundo Levy, o ciberespaço é o meio da criação da cibercultura. É neste ciberespaço, em que a cibercultura surge e se modifica. É aqui que cada indivíduo (nó) é aceite na rede, podendo desta forma expandir o conhecimento através da partilha de conhecimentos, tornando-se assim produtor de novas informações. Para Levy, nos dias de hoje, é impossível resumir toda a informação que é lançada na rede. Não nos podemos esquecer de que, com a velocidade de alteração de informação que circula na rede, torna-se humanamente impossível recolher do todo, uma amostra do que é mais importante uma vez que o “dilúvio informacional jamais cessará.” Levy, P 1999 (pág. 14)

Neste livro, o autor refere a enorme quantidade de informação que circula na rede como um diluvio informacional. Nunca tinha pensado nisso desta forma, contudo a quantidade exacerbada de informação que circula na rede é de tal forma intensa, que a analogia do autor comparando a quantidade de informação com o diluvio Bíblico faz todo o sentido e é bastante esclarecedora. Mais ainda, o dilúvio que o Autor refere é permanente, logo há que, e passo a citar, “ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar.” Levy, P (pág. 15).

Vamos então pensar em cada indivíduo como sendo uma arca diferente de todas as que navegam pelo mar de informação. Deveremos então construir a nossa própria arca, filtrando a informação que achamos ser a mais relevante, mediante os nossos interesses pessoais. Neste sentido estamos a pensar apenas como indivíduos meramente consumistas da informação. Por outro lado, o processo de disseminação da informação era algo totalmente da responsabilidade da comunicação social (Televisão, rádio, jornais, etc), contudo, com o surgir e desenvolvimento das novas tecnologias, nomeadamente a Internet, a participação de cada um de nós, na partilha de informação na rede, elevou-se exponencialmente. Logo há que ter consciência, enquanto “nó” gerador de informação.

A liberdade de pensamento enquanto indivíduos conduziu-nos à ideia de que somos nós quem decide qual o rumo que queremos seguir. Somos seres livres de escolher e analisar as nossas próprias ideias.

Segundo Levy, antes de partir para a definição de Cibercultura, há que identificar o meio da sua criação, o ciberespaço. O que é o ciberespaço? Para Levy, este conceito nasceu do resultado do movimento de indivíduos com uma vontade extrema de iniciarem/experimentarem novas formas de comunicação coletiva, diferente da comunicação que já conheciam.

Essa inquietude, este movimento, esta vontade de “viver” novas experiências em novas formas de comunicar, gerou uma abertura de um novo espaço de comunicação, que possibilitou a colocação de questões de uma forma individual, podendo e dando origem a que aos membros deste espaço, pudessem responder partilhando diversas informações originando um pensamento ou conhecimento comum, ie, partilhado. Creio que poderemos dar como exemplo os fóruns de discussão nas diversas plataformas hoje tão convencionais, como Blogs, Facebook, Google +, Twitter etc., designadas como comunidades virtuais.

Por outras palavras, podemos dizer que as comunidades virtuais são locais na internet em que grupos de utilizadores debatem/discutem/trocam informações, criando desta forma uma memória coletiva.

Esta memória coletiva vai crescendo progressivamente através da interação dos elementos/membros do grupo da comunidade virtual. A internet permite esta mesma situação. Nasce então o conceito de inteligência coletiva.

O ciberespaço como suporte da inteligência coletiva é uma das principais condições do seu próprio desenvolvimento. O crescimento do ciberespaço não determina automaticamente o desenvolvimento da inteligência coletiva, apenas fornece a esta inteligência um ambiente propício. A inteligência coletiva acontece quando através das interatividades pelas comunidades virtuais, todos podem dividir, compartilhar conhecimento, pensamentos e diversos outros conteúdos. É a mobilização das competências de todos.

O ciberespaço encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos e da coincidência de tempos, é a interconexão dos computadores e é uma nova forma de interatividade. É onde ocorre a profusão das redes interativas.

“A internet é um dos mais fantásticos exemplos de construção cooperativa internacional.” Lévy, P (pág. 126)

Podemos então afirmar que o crescimento do ciberespaço é orientado por três princípios fundamentais:


  • A interconexão;
  • A criação de comunidades virtuais;
  • A inteligência coletiva.

A interconexão é a capacidade que todos os aparelhos têm de comunicar entre si. Já a comunidade virtual “é construída sobre afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, num processo de cooperação ou de troca” (LÉVY, 1999, p.127)

Quanto à inteligência coletiva é a inteligência compartilhada que surge da colaboração de muitos indivíduos através das comunidades virtuais, sendo esta a grande finalidade da cibercultura.

Podemos então definir ciberespaço como um novo “lugar” de comunicação, de sociabilização e de inclusão, onde as pessoas podem partilhar “inteligência coletiva”.


Bibliografia:



Lévy, P (1999). Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Edições 34


Sociedade em Rede

- Uma definição colaborativa -

Este é um trabalho que pretende definir o conceito de “sociedade em rede” tal como é entendido na atualidade, nas suas diferentes conceções, bem como distingui-lo de sociedade da informação e do conhecimento.
Os seres humanos são sociais na sua essência, têm necessidade de se relacionar e de expandir as suas relações, procurando resolver necessidades afetivas, físicas e materiais. Não surpreende, assim, que o Homem opte por viver em grupos, nos quais desenvolve elos complexos de interdependência comercial, ideológica, religiosa, etc. Sempre vivemos em rede de uma ou de outra forma e, neste sentido, o próprio conceito de sociedade se confunde com rede.
Sociedade em rede, no entanto, corporiza um novo paradigma de relações sociais que, embora assentes em nós relacionais que constituem uma trama semelhante às anteriores, se servem de uma teia com características extremamente distintas que, em si, conferem um padrão totalmente diferente ao tecido relacional.   
Se antes este esquema social padecia de restrições espácio-temporais e se tecia num tear de pequenas dimensões, atualmente o tear atingiu uma escala planetária e deixou de se submeter a qualquer tipo de restrição. Se o processo envolvia essencialmente uma rede de contactos locais e as permutas eram lentamente efetivadas de forma pessoal e com um acesso temporal e espacialmente restrito à informação, hoje o processo é quase instantâneo e de caráter global graças aos desenvolvimentos na área das comunicações, especialmente a Internet.

Sociedade em Rede 
"A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede" (M. Castells)

(Titulo: Huge Social network visualization de Elner Von Denen)

Sociedade e Rede são dois termos que se conjugaram para definir o recém sistema relacional das comunidades do século XXI. Importa, pois, perceber a abrangência destes vocábulos e deslindar a forma como, tendo-se fundido, se redimensionam para cunhar o conceito completamente novo de sociedade em rede.
A definição de Sociedade não é simples nem linear tal como não é simples nem linear a própria estrutura social. Trata-se de um sistema relacional interdependente composto por todos os seres humanos que, ocupando um determinado espaço num determinado tempo, partilham diferentes traços de união entre eles (interesses, culturas, família, vizinhança, trabalho, origens, opções políticas, tradições, etc), elementos que determinam a sua forma de organização e relacionamento. Rede, no sentido que aqui importa destacar, designa uma estrutura em que vários elementos se entrelaçam, formando uma malha. Sociedade e Rede são, por isso, termos que à partida se harmonizam, considerando que o tecido social é, em si, uma rede e sobrevive nesses elementos relacionalmente enredados. A atualidade, no entanto, trouxe uma nova rede à rede.
As sociedades sempre viveram em rede, ou em redes, e a comunicação, condição necessária para a vivência em comunidade, foi acompanhando e dando respostas às necessidades destas redes sociais. Com a transição do modelo económico capitalista para o modelo económico neoliberal, a sociedade passou a caracterizar-se por contínuos avanços científicos que proporcionaram uma forte globalização económica e cultural. A Internet e as modernas tecnologias de comunicação passaram a permitir que a informação circulasse em grandes quantidades, sem restrições de fronteiras e em curtos espaços de tempo. Neste contexto, Bernstein (1996) enfatizou que a transição se processou de uma sociedade baseada em recursos físicos (matérias - primas, força de trabalho, instalações etc.) para uma sociedade fundada em informação e conhecimento. Castells (2005), por seu lado, observou que o avanço tecnológico mais recente proporcionou um aumento exponencial do efeito de rede no esquema social ao interligar pessoas numa transcendência geográfica e temporal. A expansão permanente das novas tecnologias, que permitiu o aumento significativo da comunicação a nível local e global, tornou possível a interatividade de muitos para muitos, e a sociedade tem sucessivamente incorporado esta ferramenta na sua dinâmica, transformando-se.
Neste contexto, o vocábulo rede tornou-se mais abrangente, de acordo com Guerreiro (2006:317), rede é, também, a difusão de informação que se produz localmente com a perspetiva de se propagar globalmente através diferentes meios de comunicação, a partir de protocolos alfanuméricos de interoperabilidade que possibilitam a Internet tal como a conhecemos. Em consequência, a relação social também se tornou mais abrangente e transformadora, não surpreende, pois, que a determinado momento a palavra Sociedade pareça insuficiente para exprimir a nova realidade e o vocábulo Rede demasiado presente para se confundir com a tradicional relação social.
Castells (2005) cunha o conceito de sociedade em rede para exprimir as novas dimensões desta estrutura social mais recente que, associada à emergente era digital, substitui gradualmente a sociedade da era industrial. O conceito, tal como o define, abrange as diferentes dinâmicas de relações humanas que, ao contrário das dinâmicas anteriores, contam com uma teia tecnológica de caráter digital, suportada e estimulada pela Internet, para colocar o conhecimento e a informação em movimento, possibilitar permutas e criações constantes, a uma escala planetária e sem constrangimentos. Se este recente esquema relacional não surge por causa da tecnologia mas devido a imperativos de ordem social, sem a tecnologia informática de redes de comunicação ela não poderia existir tal como a conhecemos. Assim, a sociedade em rede é a estrutura social baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microeletrónica em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimentos acumulados nos nós dessas redes (Castells e Cardoso, 2005:20). A fluidez reticular, a flexibilidade, a expansão e transformação permanentes são traços determinantes deste novo mundo desterritorializado.
Para Minconi (2008, p.153-154) a sociedade em rede é a generalização de uma lógica em rede que substitui os tradicionais modelos verticais de domínio por um esquema horizontal. Di Felice (2008, p.57-58) apelida-a de "sociedade a código aberto", considerando que nela se constroem conteúdos e há uma apropriação do mundo através das tecnologias digitais. Segundo Rodrigues (2005), todos os que vivem em sociedade estão, de alguma forma, a incorporar um espaço público de uma relação, de uma rede e ter consciência disso é um passo em direção à cidadania inquieta, à possibilidade de escolha entre contribuir mais ativamente para o desenvolvimento da comunidade ou não, entre ter um comportamento responsável ou não diante da coletividade. Entender que o homem vive e constrói a sociedade em rede é perceber que nela o conhecimento gera poder - o poder da escolha e da transformação.
As potencialidades e o poder transformador deste fenómeno de reticularização não deixam, inevitavelmente, de ter traços paradoxais. Castells, em Castells e Cardoso (2005:18), relembra que “a sociedade em rede [se] difunde por todo o mundo, mas não inclui todas as pessoas.” A reflexão remete para duas realidades diferentes mas igualmente preocupantes: por um lado o acesso às ferramentas que dinamizam os novos movimentos sociais é desigual, o acesso no sentido físico mas também no sentido das competências; por outro a apropriação das ferramentas nem sempre tem o potencial transformador incorporado pois, tal como refere Silverstone (citado em Castells e Cardoso, 2005:31) “sendo a Internet uma tecnologia, a sua apropriação e domesticação pode também ocorrer de forma conservadora e assim actuar apenas enquanto propiciadora da continuidade da vida social tal como ela se encontrava pré-constituída.”
Aquilo que na sociedade em rede pode significar uma vantagem massiva e inclusiva, pode, de igual modo, resultar na massiva exclusão social e no congelamento do futuro. A difusão e acesso desiguais às tecnologias bem com a deficiente apropriação das novas ferramentas criam constrangimentos que devem ser pensados e incorporados na rede de otimização do tecido social do século XXI.

A Sociedade em Rede e a Sociedade da Informação e do Conhecimento
A sociedade em rede consubstancia-se no novo ambiente social e tecnológico – era digital, permitindo a comunicação a nível local e global e a expansão permanente das novas tecnologias trazendo um aumento significativo de interatividade de muitos para muitos.
Porém, não significa o mesmo que sociedade da informação e do conhecimento. Esta corresponde à sociedade com novas capacidades de (re) organização recorrendo às tecnologias da informação e da comunicação com actividades que têm por base as redes de comunicação digital. O desenvolvimento das tecnologias traz alterações profundas: globalização, aceleração e instantaneidade da circulação da informação, a realidade mediatizada pela tecnologia, dando origem ao homo digitalis.
Miranda (2000) citado por Lima e Santine (2008:41) afirma que o fenómeno que melhor caracteriza este funcionamento em rede é a convergência progressiva que ocorre entre produtores, mediadores e usuários em torno dos recursos, produtos e serviços de informação. O alcance dos conteúdos é potencialmente universal, resguardadas as barreiras linguísticas e tecnológicas.
O conceito de Sociedade da informação é tratado por diversos autores, sob óticas diferentes, convergindo na mesma ideia. Segundo Castells (2002) “A Sociedade de Informação é um conceito utilizado para descrever uma sociedade e uma economia que faz o melhor uso possível das Tecnologias da Informação e Comunicação no sentido de lidar com a informação, e que toma esta como elemento central de toda a atividade humana”.
Sendo assim, falar da sociedade da informação é referenciar-nos a uma sociedade em que o intercâmbio de informações é a atividade social predominante. Fazendo uso de todas as tecnologias disponíveis, os indivíduos que compõem esta sociedade processam, armazenam, selecionam e usam ferramentas que facilitam a comunicação e a troca de experiências entre si, tendo como resultado a construção de novos conhecimentos.
Segundo Borges (2004) “O Conhecimento por ser, em grande parte, resultado da partilha coletiva de significados, é necessariamente construído em sociedade promovendo valores como a colaboração, a partilha e a interação, independentemente de qualquer tipo de filiação ou pertença.”
De acordo com Sorj (2003) citado por Silva et al. (2010:218) sociedade do conhecimento seria um tipo de sociedade que se volta para certo tipo de conhecimento, "o conhecimento científico", a partir do qual se desenvolve a capacidade de inovação tecnológica, principal motor da expansão económica no mundo contemporâneo.
Por outro lado, Tedesco (1999) aborda a questão da produção do conhecimento científico e a normatização da veiculação deste conhecimento produzido de um para muitos. O autor chama atenção para o “surgimento de conflitos que levam à necessidade da criação de acordos e legislação para proteger os direitos da propriedade intelectual”.
Sobre a relação entre Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento, o subdiretor geral da UNESCO para a Comunicação e Informação, Abdul Wheed Khan, declara: “Sociedade da Informação é o tijolo para construir o edifício da Sociedade do Conhecimento”. Nesse sentido, percebe-se que o conhecimento se constrói a partir das informações socializadas pelos produtores intelectuais, isto é, dos produtores do conhecimento científico.  Logo, tal conhecimento se não for expandido para outros sujeitos, torna-se inútil. De nada valeria uma produção científica que tivesse um fim em si mesma.
De acordo com Castells (1999), a estrutura social de uma sociedade em rede resulta da interacção entre o paradigma da nova tecnologia e a organização social num plano geral. A comunicação em rede transcende fronteiras, a sociedade em rede é global, é baseada em redes globais. Então, a sua lógica chega a países de todo o planeta e difunde-se através do poder integrado nas redes globais de capital, bens, serviços, comunicação, informação, ciência e tecnologia.
Castells (1999), afirma que a sociedade em rede também se manifesta na transformação da sociabilidade. O que nós observamos, não é o desaparecimento da interacção face a face ou o acréscimo do isolamento das pessoas em frente dos seus computadores. Sabemos, pelos estudos em diferentes sociedades, que a maior parte das vezes os utilizadores de Internet são mais sociáveis, têm mais amigos e contactos e são social e politicamente mais activos do que os não utilizadores. Além disso, quanto mais usam a Internet, mais se envolvem, simultaneamente, em interacções, face a face, em todos os domínios das suas vidas. A sociedade em rede é uma sociedade hipersocial, não uma sociedade de isolamento.
Assim sendo, sociedade em rede é uma entidade que transcende categorizações atribuídas à Sociedade da Informação, à Sociedade do Conhecimento ou à Sociedade da Informação e do Conhecimento.

Sociedade em Rede: o impacto na sociedade actual
A Internet é um meio de comunicação interactivo, diferente dos restantes meios de comunicação, na medida em que pressupõe uma interactividade e exige maior participação por parte do “receptor”, que é cada vez mais, em simultâneo, “emissor”(Castells, 2003).
As múltiplas transformações introduzidas pelas tecnologias digitais podem causar mudanças subjetivas comparáveis àquelas causadas pela Revolução Industrial ao longo dos séculos XIX e XX (Silveira, 2004, citando Nicolaci-da-Costa (2002c). Para Castells (2003) pela primeira vez na história existe uma capacidade em massa de comunicação que não é intermediada por empresas ou pelos mass media. A “Sociedade em Rede” é fruto dessas transformações, económicas, tecnológicas, sociais e culturais que se verificaram neste fenómeno que é a globalização e que abrangem todas as camadas sociais em todas as regiões do mundo.
Segundo Castells (2008) o ciberespaço é a sociedade em rede, aldeia global, um cenário dinâmico baseado no fluxo e troca de informação, capital e cultura. Existe nela uma diversidade de produtos e serviços que provocam uma mudança no quotidiano de todos os segmentos, social, cultural, económico, político e educacional (Carpes, 2001).
A nível social, as pessoas, tendem a usar a Internet para atividades similares às existentes antes do advento dessa tecnologia: enviar e receber email em substituição das ligações telefónicas e ao correio tradicional e para obter notícias, pesquisar informações, fazer compras e divulgar atividades profissionais. Por outro lado, crianças, adolescentes e adultos mais jovens adotam novos usos para a Internet. Eles usam-na para a formação de novas relações de amizade e amorosas e para se integrarem em grupos virtuais, que funcionam como os grupos da vida real (Clay, 2000; Gonçalves, 2000; Kraut et al., 2003; Nicolaci-da-Costa, 2002a e 2002b). Podemos afirmar que qualquer tipo de relacionamento está cada vez mais articulado pela ligação em rede, desde o surgimento de novas amizades ao encontro entre pessoas fisicamente distantes (Silveira, 2004).
A nível económico, diversificam-se e multiplicam-se os fluxos de informações financeiras e comerciais em todo o planeta, segundo Moraes (2003), citado por Carpes (2001). A globalização também leva a fusões e reestruturações de empresas, mudanças de capital e de unidades de produção para outros países onde a mão-de-obra é mais barata, sendo a gestão feita a nível central. Estes fluxos impulsionam mudanças no modelo organizacional que somente se tornam possíveis através de tecnologias de comunicação e softwares integrados através da Internet (Moraes, 2003, p. 193).
No trabalho verificam-se modificações a nível da sua estrutura, organização e forma (Levy, 2003; Castells, 2000), que são caracterizadas pelo surgimento de novos postos de trabalho, cargos que são mais flexíveis e com capacidade de adaptação tanto no local como no desenvolvimento do mesmo. Consequentemente verificam-se novas exigências no que diz respeito à procura de trabalhadores, que devem ser cada vez mais especializados. Terêncio e Soares (2003) avaliam a Internet como uma ferramenta útil para o desenvolvimento da identidade profissional (Silveira, 2004).
A influência da Sociedade em Rede na Cultura Local e Global, é uma questão que tem levantado algumas questões, pois esta cultura global não está limitada ao individualismo, ao materialismo e consumismo. Também dela fazem parte a democracia, os direitos humanos, a igualdade e a liberdade individual (Morin, 2002). Carpes (2011) levanta uma questão importante colocada por Arnett (2002): estes valores estão longe de serem universais, uma vez que estão “centrados na liderança de países industrializados do Ocidente e, muitas vezes, entram em conflito com as culturas locais”. As pessoas adoptam, de certa forma, esta cultura global como complemento à sua cultura local antagonizam-se a ela.
Segundo Hargreaves (2003) “A sociedade do conhecimento é uma sociedade de aprendizagem” (Lisbôa, et al. 2011). A produção de conhecimento depende da capacidade de adaptação do individuo às mudanças emergentes, continuando a aprender de forma autónoma e colaborativa. Esta capacidade de aprendizagem ao longo da vida é, segundo Fisher (2000), o aspecto “mais central na construção da nova ordem social”. Neste contexto surgem novas questões e responsabilidades à escola/ educação, que enfrenta desafios na forma de ensinar (e aprender) nesta nova sociedade em que a criatividade e a inovação determinam o sucesso da economia.
A utilização de redes sociais na educação tem gerado forte controvérsia. Defendidas por uns, e contestadas por outros, a verdade é que a sua eficácia e impacto são inquestionáveis e a escola não se pode alhear dessa nova realidade que afecta todas as esferas da sociedade actual. As escolas “acordam lentamente para esta nova realidade, mas os jovens trazem a Web 2.0 para os computadores da escola e usam as redes sociais naturalmente no seu quotidiano para os mais diversos fins” (Caldeira, 2011).
Um dos grandes contributos que a escola poderá dar é preparar os alunos para os novos desafios: ensinar a gerir a informação e garantir a gestão metacognitiva do conhecimento, ou seja, apoiar no desenvolvimento de competências de aquisição, interpretação e análise da informação e espírito crítico (Pozo e Postigo, 2000 citados por Lisbôa, et al., 2011). É inevitável que a escola e os seus agentes repensem a forma de ensinar para a apropriação das novas formas de aprender e de se relacionar com o conhecimento.
Estamos perante uma nova “identidade” para o professor, que através da utilização das novas tecnologias, deverá estar preparado para estimular a criação colectiva, a criatividade, espirito critico e reflexão dos seus alunos. Só assim a “educação será capaz de atender as demandas de um futuro próximo” (Lisbôa, et al. 2011).
Concluindo, a rede deixa de ligar máquinas e passa a unir pessoas, processo com implicações sociais profundas (Caldeira, 2011).
O mundo virtual sugere, de facto, inúmeras possibilidades em todos os aspectos da vida, diante deste facto Lévy (2007, p. 104) reforça o conceito de ciberespaço que “designa ali o universo das redes digitais como lugar de encontros e de aventuras, terreno de conflitos mundiais, nova fronteira econômica e cultural”.
O desenvolvimento acelerado das novas tecnologias está a provocar uma metamorfose radical e global, em todos os aspetos da vida social e familiar, sendo, por isso, necessário reconhecer a importância das TIC em todos os ramos da vida social e profissional; que a informação é sinónimo de poder e que o poder está no conhecimento; que as profissões privilegiam cada vez mais o uso da informação e das TIC, provocando alterações ao nível da organização das empresas e nas formas de nelas se trabalhar, obrigando a uma flexibilidade e mobilidade no mundo do trabalho e do ensino, onde a aprendizagem deve ser autónoma e autorregulada, ao longo da vida. 
Diante deste cenário, vários desafios se levantam. O primeiro deles é tentar garantir a democratização do acesso às mais variadas formas, meios e fontes por onde circula a informação para que possamos construir uma sociedade mais equitativa. Por outro lado, devemos desenvolver competências e habilidades para transformar essa informação em conhecimento, tendo em conta valores como a solidariedade, o respeito, a diversidade, a interacção, a colaboração, a criatividade e sobretudo, a nossa capacidade de ousar, de inventar, de inovar e, ao mesmo tempo, de sermos capazes de avaliar os riscos dos nossos atos. Concordamos com Lisbôa, et al. (2011) quando afirmam que “temos plena convicção que isso só poderá ser alcançado por meio da educação”. 

Considerações finais
A realização deste estudo, que pretendeu construir coletivamente uma definição de sociedade em rede levou o grupo, à superação de diversos desafios.
Enquanto indivíduo, o desafio está em como abstrair uma real compreensão do que já foi dito e, sem sobreposição, conseguir complementar; adicionar tijolos à construção deste conhecimento que aos poucos foi se desenhando. Terá sido este sim o real desafio?
Certamente, outros podem ser listados, quais sejam os de lidar com as novas ferramentas fruto das modernas tecnologias da informação e comunicação; praticar empaticamente os novos recursos didáticos na qualidade de aluno e não de professor; experimentar a autonomia na construção de novas competências sem a gerência da tão tradicional figura do professor a guiar a aprendizagem, por meio do ensino.
Sobre esta caminhada, que em si já comporta aprendizagens significativas, há que reconhecer que ainda há muito a aprender. Todavia, no que toca à construção coletiva, largos passos foram dados.
Na definição de Sociedade em Rede, paradoxalmente, constrói-se a compreensão deste conceito em construção que abarca, na sua estrutura, o entendimento de sociedade da informação e do conhecimento, bem como a constatação que a rede hoje deixa de simplesmente ligar máquinas, para unir pessoas numa dimensão global, o que interfere diretamente no comportamento das pessoas e promove profundas mudanças sociais. As mudanças que caracterizam esta sociedade em rede referem-se aos vários aspetos da vida humana.
Uma breve análise dos séculos XX e XXI permite-nos constatar que a espécie humana está a iniciar uma nova fase da sua história, que muito deve ao desenvolvimento das TIC, tecnologias de rede e da internet. Estes acontecimentos trouxeram inúmeros benefícios à vida cotidiana da população mundial de uma forma generalizada. Economia, política, cultura, educação e sociedade foram todas influenciadas e modificadas nos últimos anos. No entanto, seria míope avistar este contexto de forma unicamente positiva.
O excesso de informações e a rapidez da sua veiculação combinam a escassez de espaço e tempo para a abstração e para a reflexão, podendo dificultar o aprendizado e contribuir para uma cultura caracterizada pela superficialidade, pela padronização e, sobretudo, pela valorização da imagem em detrimento da palavra.
Ainda que isso não deva ser tomado como absoluto em todos os casos, pois ainda existem abstração e reflexão no mundo de hoje, também não seria prudente desconsiderar os riscos desta nova cultura emergente. A valorização de formas de expressão apoiadas no sensorial, narrativo, dinâmico, emocional e sensacionalista participa do desenvolvimento de determinadas maneiras de agir, pensar e sentir, caracterizando um novo momento histórico, que traz consigo ganhos significativos para os indivíduos e suas organizações. Por outro lado, a desvalorização do abstrato e simbólico, do analítico, estático, racional, previsível e rotineiro traz consigo perdas igualmente significativas e, portanto, merecedoras de atenção e cuidado.
No percurso para construção da definição de Sociedade em Rede, considerando a dimensão planetária em que se insere esta sociedade, este estudo elucida a necessidade de procurar, individualmente e pelas formas organizadas da sociedade, a democratização do acesso à informação, ao tempo em que se faz necessário o desenvolvimento de competências e habilidades para transformar estas informações em conhecimentos úteis que tenham as tecnologias e as relações que, por seu intermédio, se estabelecem como forma de construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Por fim, entende-se que esta sociedade em rede permite estudos, trabalhos colaborativos, sociabilização e todos os outros aspetos da vida humana que possibilitam as pessoas e organizações aprenderem e interagirem juntos para, em escalas nunca imagináveis, conviver, interagir, trabalhar, inovar, teorizar e recriar novos caminhos para uma sociedade melhor.
Sociedade em Rede reflete a presente estrutura social que, alavancada pela difusão de novas tecnologias de comunicação, esbate as barreiras do tempo e do espaço, promovendo uma sociabilidade mais rápida, mais próxima, mais conectada e mais competitiva. Coloca o ser humano numa rede colaborativa na qual se cria, se transforma e se acumula sucessivamente informação a uma escala global sem precedentes. A nossa tarefa, ainda que em pequena escala, expressa a materialização clara de Sociedade em Rede enquanto exemplo das suas potencialidades.

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